Quando me perguntam o que eu faço
e eu respondo “sou perita criminal da polícia civil de Minas Gerais”, algumas
pessoas me perguntam: mas o que você faz exatamente mesmo?
Na verdade, acho que até mesmo
quem sabe o que faz um perito criminal, não tem a exata noção do amplo leque de
atuação dos peritos. Assim, vou contar para vocês. Aos poucos, porque realmente
a gente atua nas áreas mais diversas. Não, não é só aquilo que vocês veem no
CSI (Crime Scene Investigation, ou investigação de cenas de crime) e variações.
Atuamos na área do trânsito, crimes contra o meio ambiente, papiloscopia,
perícias contábeis, áudio e vídeo, engenharia, crimes contra o patrimônio, além,
claro, da balística forense, física, química e biologia forense, etc.
Que tal começarmos mesmo pela
nossa área mais famosa? Os crimes contra a vida, tão elaboradamente mostrados
nos seriados americanos e que encantam a tantos telespectadores. Os crimes
contra a vida englobam todas as mortes violentas, quais sejam, homicídios,
suicídios, acidentes (como essa tragédia de Santa Maria) e mortes suspeitas.
Na verdade, bastante coisa
daquilo que mostra no seriado é plausível, sim. Principalmente no que tange as
técnicas e equipamentos utilizados. Nós temos, sim, todas aquelas luzes
forenses (e eu realmente me sinto uma CSI quando uso elas – apesar de serem
poucas as oportunidades). A técnica de levantamento de fragmentos
dígito-papilares (jeito chique de dizer “achar uma impressão digital”) é aquela
com pincéis e pozinhos mesmo. Nós tiramos diversas fotos, assim como no
seriado, e a análise das manchas de sangue dos locais de crime pode realmente
elucidar algumas questões. Todos os outros exames realizados também são feitos
aqui no Brasil, como DNA, microcomparação balística, residuográfico, exames de
substâncias estranhas e por aí vai, mas depois eu falo de cada um deles
detalhadamente. São tantos!

Existe, claro, algumas diferenças
básicas entre o seriado e a realidade brasileira.
Primeiro, tudo ali foi feito para
a televisão e, consequentemente, para que se ache o culpado do crime em 45
minutos. Assim, tudo dá certo! Impressionante (rs), na verdade. O que é muito
diferente do mundo real. Nem sempre vai haver no local um fio de cabelo, uma
impressão digital nítida, gotas de sangue, marcas de sapatos claras, projéteis
de arma de fogo intactos e por aí vai.
Outra diferença é o tipo de
crime. Aqueles que costumam deixar vestígios são os passionais, nos quais o
autor tenta de alguma forma encobrir o seu feito. Um bom exemplo é o caso da
garotinha Isabella Nardoni. Contudo, os crimes com os quais mais nos deparamos
no dia-a-dia são aqueles ligados ao tráfico de drogas: o autor chega próximo à
vitima e a executa, indo embora, em seguida, sem deixar sequer um pelinho do
corpo para trás.
E por último, no seriado, os peritos
participam ativamente das investigações, inclusive interrogando e tomando parte
nos depoimentos dos envolvidos nos casos. Isso não ocorre na Polícia Civil de
Minas Gerais (não sei se é assim também nos outros estados do país, mas
acredito que seja sim!), exceto quando o perito decide fazê-lo por conta
própria e pede à autoridade policial para participar. Do contrário, o nosso
trabalho se restringe mesmo a análise da cena do crime e elaboração do laudo
pericial. O restante fica a cargo das demais carreiras da polícia,
principalmente o Delegado de Polícia e o Agente de Polícia, mais conhecido como
investigador.
Certamente, é uma profissão
apaixonante. Tem a parte ruim, que é essa de lidar com cadáveres e com o pior
do ser humano – a capacidade de ferir seu semelhante ou de tirar a sua própria
vida – diariamente. Só que amparar a sociedade, aprender sobre coisas novas todos dias, ajudar a solucionar crimes, o
reconhecimento... tudo isso recompensa. Pelo menos, na minha opinião! A verdade
é que a gente acostuma com essa parte ruim. Infelizmente, ou felizmente, a
gente não se deixa abalar. Críamos mecanismos de defesa para que possamos tocar
a nossa vida e, ainda, exercer a nossa profissão da melhor maneira possível.
Então é isso, para início de conversa! Para ingressar na carreira de Perito Criminal no estado de Minas Gerais, é necessário fazer o concurso para a Polícia Civil do Estado. Para quem interessar, o edital do concurso de 2013 foi publicado há aproximadamente duas semanas (leia aqui) e as provas ocorrerão dia 02/06/2013. Vale muito a pena, especialmente se considerarmos a carga horária X remuneração. Mas isso, já é assunto para outro post!
Beijo.

Muito bem explicado Sarita! Adorei! Beijo? Carol Diniz.
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